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Lata de Conversas

Lata de Conversas

10
Abr22

Pequenas coisas

Paulo L

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PL

 

Ouvi por acaso, que pena que não tivesse sido por acaso, Little Things de Adrian Berenguer. Confesso, não conhecia. Confesso a minha grande ignorância musical contemporânea. Liguei-me a alguns períodos clássicos, com uma grande preponderância nos concertos para violino e orquestra, abracei algum jazz de fusão, nomeadamente o latin Jazz, em particular o Afro-Cuban jazz, retrocedi para o Traditional New Orleans jazz e daí saltei para o Jazz contemporâneo, se assim se pode chamar. Fui ouvindo coisas diferentes, alternativas, diriam alguns, contemplando sonoridades próprias, diferentes do que se pode enquadrar na música comercial, que enche programas de televisão e dá audiência às rádios, mas que não preenche as mentes inquietas, pelo menos a minha mente inquieta.

Alternando a leitura com a música, conjugando a leitura com a música e passando mesmo por períodos em que nem leitura nem música, esquecendo-me completamente da escrita lúdica, fui ouvir atentamente Berenguer e Immaterial.

Com uma sonoridade preenchida, matizada com tons alegres e melancólicos, chegamos a Little Things com um ternário em valsa rápida como a borboleta que não se deixa fotografar, saltando de flor em flor, cumprindo o seu solitário objetivo, colorindo o cenário com rastos multicolores.

Estou a ler O livro do chá de Kakuzo Okakura. Também o chá passou por diferentes períodos, evoluindo ao longo do tempo. O chá em tijolos era fervido, o chá em pó era batido e o chá em folhas era infundido. A Europa só conheceu o chá no final da dinastia Ming. O Japão, pelo contrário, conheceu o chá nos seus três formatos. Oriundo da China, ficou intimamente ligado ao Japão. Wenceslau de Moraes foi cônsul no Japão e escreveu O culto do chá. Foi-me oferecido há uns bons anos moldando-me o palato e enobrecendo-me o paladar, luxo que pratico nos dias mais frios, sem snobismos já que reservo para os dias mais quentes uma gélida e colorida cerveja.

São estas pequenas coisas que nos resgatam da vida ocupada e eletrizante, mas são também, como Serrat

Son aquellas pequeñas cosas...

Que te sonríen tristes y

Nos hacen que

Lloremos cuando

Nadie nos ve.

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