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Lata de Conversas

Lata de Conversas

25
Jan20

Os bons retratos e as más instalações

Paulo L

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PL

Sendo apreciador de arte e entretendo-me nalgumas modalidades, embora em formato amador, fico sempre entusiasmado quando é anunciado algum evento que me possa encher as medidas e tornar-me num alguém mais preenchido. Foi o que aconteceu com a exposição de retratos do Henri Cartier-Bresson. Comecei logo a dizer que a não podia perder e a tentar arranjar um tempinho que me permitisse perder-me por lá durante uns reiterados quartos de hora. E foi na qualidade de aprendiz autodidata de fotografo que me dirigi à exposição do grande mestre.

 

Um turbilhão de sensações, pensamentos, reflexões e constatações perturbaram a tranquilidade mental que a tarde soalheira me propusera, pois desde o primeiro retrato nada nos fica indiferente.

 

Mais do que meros retratos, há emoções, pensamentos e formas de estar que nos são apresentadas. Fotografias intimistas nos pormenores. Ângulos e profundidades de campo escolhidos de forma a revelarem o que quer ser mostrado e a esconderem o que não é  para ser visto. Revelações da intimidade individual em retratos esporádicos ou em poses estudadas e o conjunto é brilhante.

 

A reunião de um conjunto imenso de personalidades, das artes à política, reservando uma rigorosa cronologia, assalta-me o reconhecimento de quão prolífico foi o período pós segunda guerra no seu pensamento político-filosófico, na abundante produção literária, no desenvolvimento do pensamento livre e progressista e na qualidade impar das diferentes manifestações artísticas.

 

Houve uma imposição pela qualidade que foi perdurando no tempo, contrabalançando com as efémeras composições pós-modernas que certamente não assegurarão a posteridade.

Hoje criam-se nomes e os nomes criam coisas e a essas coisas chamam arte. As esculturas passaram a instalações e as instalações representam ideias. E as ideias são arte. E o conceito modifica-se. Para melhor? São os tempos modernos...

 

Se entendo o conceito da obra de Banksy que se autodestruiu após ser licitada por um milhão de libras na Sotheby’s, já tenho muita dificuldade em perceber a banana colada com fita adesiva. Talvez o conceito de Wilde, numa tradução livre, de que pior do que ser alguém de quem se fala é ser alguém de quem não se fala, seja agora levado ao extremo. A banana colada com fita adesiva que Maurizio Cattelan expos e chamou “Comedian” é arte ou gozo? A escultura que Pedro Cabrita Reis plantou em Leça da Palmeira, pomposamente A Linha do Mar, é demasiado conceptual ou é apenas Pedro Cabrita Reis? O Ovo de Colomboda era moderna.

 

Começo a achar que se esta minha crónica fosse escrita por alguém de nome, do meio artístico, jornalístico, cultural, intelectual, excêntrico, ... , cravejada de figuras de estilo ou fruto de algum escritor fantasma de alguma figura pública, estaria a ser publicada nalguma revista domingueira, num blogue com centenas de visitas ou destacada num site com grande audiência. Mas já fico feliz se alguns dos meus amigos se derem ao trabalho de procurar este pequenino blogue.  

 

 

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