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Lata de Conversas

Lata de Conversas

12
Dez21

O labirinto do Minotauro ou O devaneio da incerteza

Paulo L

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PL

Não consigo explicar.

A beleza da escrita de Salman Rushdie sempre me fascinou. Poética, suculenta, preenchida de imagens retóricas num arco-íris de sensibilidade e dureza.

Dom Quixote de la Mancha, como é mais conhecido El ingenioso hidalgo Don Quixote de la Mancha, de Cervantes sempre me seduziu. Episódio curioso, que muito admirou um grande amigo, quando me disse, um dia há muitos anos, “escolhe um livro para te oferecer” e eu apareci-lhe com uma versão de bolso em 2 volumes do referido fidalgo da triste figura.

Melhor não poderia ter acontecido, pensei, com a simbiose de Rushdie e Don Quixote, traduzida em Quichotte.

 

Teseu entrou no labirinto para derrotar o Minotauro. Seth traiu Osíris, seu irmão, tendo sido necessária a intervenção Hórus. Lúcifer, transformado em dragão, derrotado pelo arcanjo Miguel. Deus e o diabo. 

O eterno conflito do bem contra o mal. Chris de Burgh cantou-o em Spanish Train– “But above his bed just a waiting for the dead, was the Devil with a twinkle in his eye”.

 

Ben Webster e Oscar Peterson tocam When your lover has gone. O saxofone e o piano numa harmonia constante.

 

Quichotte ainda não resultou. Há um ano que pego e largo o livro. Ainda não passei das primeiras páginas. De certeza que não é do livro.

Quichotte é vítima duma paixão impossível.

A luta constante entre a razão e o coração.  E os olhos vagueiam por tudo o que passa pela frente, sendo que muito vai passando pela frente, da mesma forma que a música vai surgindo errante e desconexa.

 

“Dou-te tristeza, ...,

a oiro no silêncio debruada”

surge num poema de António Franco Alexandre e procuro o que estou a ouvir e que me é desconhecido. Não gostei do título, apenas da música. Percebo que são umas peças orquestrais de Pierre Bertrand. Confesso a minha ignorância com as peças e o compositor. Doi-me saber que se intitulam Divorce.

 

Lembro-me do Jardim Botânico, onde deveria ter ido há muitos anos procurar uma flor. Talvez a flor mais bonita.

 

O pensamento não pára, a alma inquieta tenta perceber o que não consigo explicar.

 

Porque Quichotte não passa das primeiras páginas e porque canta Maria Bethânia porque tu me chegaste sem me dizer que vinhas.

 

 

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