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Lata de Conversas

Lata de Conversas

23
Dez17

Música, apenas.

Paulo L

Chegaram as apetecidas duas horas de sossego, livres de qualquer actividade laboral ou de preparação da festividade natalícia, pelo que me sentei no sofá da sala, já gasto mas igualmente confortável, para ouvir um pouco do saxofone de Branford Marsalis. Desta vez optei por Songs of Mirth and Melancholy, com a participação de Joey Calderazzo. As peças sucedem-se numa alternância de emoções e o saxofone e o piano vão-se preenchendo e encaixando. Repousar ao som de The Bard Lachrymose e deliciar-me com o som de La Valse Kendall. Fechei os olhos e apreciei o momento. Deixei a música preencher a sala, vazia de tudo. Foi um momento meu. Foi o momento meu e da música. Marsalis e Calderazzo tocavam na minha sala e faziam-no para mim. Terminei com Bri’s Dance, num registo mais alegre onde o piano se vai desenvolvendo deixando a improvisação do saxofone entrar em contraponto. Ao longo do álbum vamos apreciando a subtileza melódica do saxofone soprano sobre a harmonia estruturada do piano, em alternâncias fabulosamente conseguidas e solos soberbos.

Este álbum é já de 2011, mas a sua sonoridade é intemporal. Foram os meus 50 minutos despojados de tudo e entregues à música.

15
Dez17

Gostava que o mar...

Paulo L

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 PL 

 

 

Gostava que o mar 

Me levasse para longe,

Onde não possa estar ao pé de ti.

Onde o luar não se visse,

Onde o coração chorasse por ti.

Onde os pássaros não cantassem,

Onde as árvores não florissem.

Onde a primavera não nascesse,

Onde as flores não abrissem.

 

Gostava que o mar

Me levasse para longe,

Me arrastasse para distante de ti.

Onde o sol não fosse de ouro,

Onde a terra não se pudesse abrir.

Onde os olhos não vissem tão longe,

Onde o meu pensamento não chegasse a ti.

 

Gostava que o mar

Me levasse para longe,

Onde não queira ouvir falar de ti.

Onde a música não tocasse,

Onde os sons não se ouvissem.

Onde a poesia não se dissesse

Onde o amor não existisse.

 

Gostava que o mar

Me levasse para longe,

Tão longe que fosse

Mesmo ao pé de ti.

PL

 

 

 

13
Dez17

Quem vê capas não vê corações

Paulo L

Aqui há uns dias e por causa de mais um dos habituais jantares de Natal, onde a solene troca de prendas, cada vez de mais baixo valor, que a conjectura actual assim obriga, associada à minha completa ineficácia nas suas escolhas, optei por comprar um livro. Procurei nas edições de bolso, onde se encontram algumas boas opções a preços mais compatíveis com o valor estipulado para a prenda em questão. A posterior distribuição por sorteio dificultava a escolha. Obrigava que o livro se adequasse a um leque diferente de pessoas, desde os claramente desinteressados pela literatura até aos assíduos leitores. Optei por Paulo Coelho, um autor de fácil leitura, com uma muito boa fluência de escrita. Escolhi Brida. Um livro sobre magia. Sobre a Tradição do Sol e a Tradição da Lua. A natureza, a sabedoria, o tempo. O bem e o mal. Mas é também um livro de paixões, de procura, do outro eu como alma gémea. Dos sete livros que li de Paulo Coelho recomendo três. Brida, o que mais me preencheu, seguido de O Alquimista e de O Diário de um Mago.

Não trago nenhuma novidade com estes livros, Paulo Coelho é um dos autores mais vendidos. Não digo nada já não dito sobre estes livros. Não acrescento muito sobre a qualidade descritiva do autor. Aconselho a leitura a quem ainda não os leu, eventualmente algumas releituras a quem, por ventura, não ficou muito satisfeito na primeira passagem. Mas há um propósito obscuro, já que estamos a falar de algum misticismo, ao trazer aqui Brida. A edição de bolso que encontrei tem uma capa que me fez pensar. É que se não considerasse este o melhor livro que li de Coelho, não o teria comprado para oferecer. Poucas foram as oportunidades de procurar por edições melhores, teria que ser um tiro certeiro porque o tempo escasseava. Peguei no livro, pousei o livro. Procurei outros, encontrei O Alquimista. Peguei nele. Pousei-o. Gostei mais de Brida. Mas aquela capa... Já aqui falei da importância das capas, da importância do tipo de letra, da importância do espaçamento entre as linhas. Se a montra não chama a atenção, não entramos na loja. Pode chamar a atenção por diversos motivos, pela cor, pela fotografia, pela sobriedade, pelo design... Pode o interior ser mau, mas come-se com os olhos. Agora se o frontispício não chama a atenção, já não se folheia. Este Brida que ofereci envergonhou-me ao ponto de sentir necessidade de justificar a escolha do livro. Infelizmente. No fundo, hoje, a propósito duma má capa falo de um bom livro e a propósito dum bom livro chamo a atenção para o prejuízo duma má capa.

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