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Lata de Conversas

Lata de Conversas

12
Set20

O verão, os policiais e a enciclopédia do Tordo

Paulo L

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PL

 

Era verão e ia entrar de férias. Chegava a altura dos policiais, género que habitualmente reservo para este período. Nenhum motivo particular, por hábito quiçá. Uma ida à livraria tinha-me desgraçado as finanças não fora o recatado confinamento que me manteve ausente do delicioso aroma a papel fresco por dois pares de meses. Compensado da ressaca por vários volumes no saco, não faltaram os costumeiros policiais da época. O ladrão de tatuagens de Alison Belsham e o enciclopédico A noite em que o verão acabou do João Tordo.

 

Começando pela pequena história de Belsham, sinopticamente interessante e volumetricamente pouco ameaçador, pecou por alguns percalços de tradução, particularmente nos discursos diretos, onde não revejo o vulgo cidadão com o linguajar daquela forma. A história entusiasma, surpreende no inicio, mas deixa-se ultrapassar pela leitura atenta e pelo raciocínio treinado do assíduo consumidor deste género literário que, sem dificuldade acrescida, tirará as conclusões acertadas antes do desenlace policial. Uma boa entrada, uma  vichyssoise, antevendo um bom prato principal.

 

Ignorante quanto a João Tordo apesar de na minha biblioteca já existir Ensina-me a voar sobre os telhados, fui protelando a leitura por motivos variados embora nunca sendo o livro ou o autor o principal motivo, mas o estado de espírito, ou qualquer coisa que isso signifique, que é o meu principal motor de busca.

 

As férias apelavam ao enciclopédico policial. Da mesma forma que os homens não se medem aos palmos, também os livros não se classificam à página mas a extensão da escrita ou traduz uma elevada qualidade do texto ou, a partir de páginas tantas, perde ritmo e interesse e ganha palha e lastro que de pouco servem para satisfação do leitor.

 

N’ A noite em que o verão acaboua alternância temporal aumenta a coesão narrativa dando a informação à medida que vai sendo necessária. Várias linhas de pensamento vão-se estruturando, percebendo-se que todas elas poderão levar a lado nenhum. A alternância narrativa, muito bem construída, permite envolver duas histórias concorrentes. A escolha da narrativa principal é-nos condicionada pelos acontecimentos mais macabros mas estruturalmente poderemos considerar igualmente importantes as narrativas secundarias,  considerando por um lado a história dos Walsh e por outro a de Taborda. Envolvidos por estes personagens são abordados diferentes temas relacionados com a complexidade das relações humanas. Que passam da vontade de se tornar escritor à incapacidade de continuar a produção literária. Uma forma de síndrome de Bartleby. Da adolescência à idade adulta. Da descoberta da sexualidade aos comportamentos de risco. Da relação da investigação criminal e do ministério publico com a necessidade política da obtenção de resultados. A caracterização das personagens é soberba. Quero acreditar que intencional. Do professor List ao professor Hayes, de Walsh a Pinkus, de Laura a Pedro Taborda. Deixo ao leitor a tarefa da avaliação. Apreciei particularmente a relação de Laura e Pedro. Um Pedro apaixonado a transbordar de tensão sexual e uma Laura que não permite o além da amizade. Um Taborda que varia da paixão por Laura passando pela relação ambivalente com a literatura e acabando na relação amorfa e desinteressante com a sua quotidiana existência. A não perder este enciclopédico Tordo.  

 

19
Jul20

A metáfora civilizacional

Paulo L

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PL

 

Curiosidade e grande expectativa. Foi assim com o livro de Bruno Vieira Amaral. Leitor habitual das suas crónicas, contundentes, mordazes e com um brilhante sentido de humor, o livro prometia.

Como Quadros de uma exposição de Modest Mussorgsky, escrito para homenagear um amigo pintor falecido, após ter visto a exposição, também neste conjunto de histórias aparentemente soltas se sente uma homenagem. O Bairro Amélia, não é só o Bairro Amélia. O Bairro Amélia são todos os bairros dum Portugal multicolorido e multicultural.

BVA reúne as histórias e o livro constrói-se. Uma a uma vão-se juntando na construção relacional do Bairro. De per si são apenas histórias, mas a sua conjugação, numa leitura seguida, transforma-as nas vivências quotidianas dos habitantes, com as suas vicissitudes e excentricidades, as suas ilusões e desilusões, as suas relações e separações.

Da mesma forma que Quadros de uma exposição, metaforicamente pelo piano, conta a visita duma exposição de quadros, As primeiras coisas apresentam o dia a dia de tantos bairros, superficialmente diferentes mas visceralmente iguais.

A sucessão de páginas traduz-se na complexização civilizacional do Bairro Amélia e na subsequente complexização duma sociedade pós-ultramarina num processo adaptacional e social que ainda deixa marcas, algumas já indeléveis, mas muitas ainda profundas.

Sociologicamente de uma riqueza notável. Tradutora do muito que se pode trabalhar na área e que deve ser fruto de uma análise séria, interpretativa e preventiva. Não chega falar, é fundamental perceber e actuar. Enfim, coisas cada vez mais raras num país que se quer proactivo, moderno e civilizado.

 

16
Mai20

Segunda oportunidade? Porque não ! ?

Paulo L

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Poucas coisas existem tão apetecíveis como ceder à curiosidade e regressar a autores que pouco satisfizeram da primeira vez.

É esta curiosidade que nos mata. Tentar novamente, ver se é diferente. Correr o risco. Tão típico da natureza humana correr riscos.

Há riscos e riscos. Ler um novo livro de um autor depois de não termos gostado do primeiro não é propriamente um risco muito elevado. É apenas um tempo usado, porque não quero dizer gasto, para perceber melhor  o caminho percorrido, a dinâmica, a evolução. É que a primeira vez nem sempre é como esperamos e muitas vezes é mesmo o contrário do que estávamos à espera.  Baralhando e tornando a dar. Gostamos do livro, lemos o segundo. O segundo não é tão bom. Compreendemos. Lemos o primeiro, não é bom. Condenamos o segundo? Talvez a maioria das vezes sim. Devemos fazê-lo? Talvez não. Passamos à segunda oportunidade. Acontece em tantas situações.

Foi o que decidi fazer a María Gainza. Gostei do título Hotel melancólico. Talvez porque se coaduna com o confinamento a que estamos sujeitos. Donde da varanda virada ao sol apenas poucos transeuntes, passeadores de cães e atletas nas suas formas reais ou pseudo, distantes e distanciados, alegram debilmente uma outrora movimentada rua com conversas em alto tom, risos, coscuvilhices e confrontos caninos de indisciplinados rafeiros e snobs pedigrees feéricos e desobedientes.

Não é a Avenida Niévski no seu bulício quotidiano. Como eu gostava que fosse! Como me vejo à janela grande do café olhando quem passa, imaginando as suas histórias. É a minha avenida, com as suas histórias, sem a grandiloquência que a imaginação me transporta de Gogol e da sua avenida. À minha maneira interpreto histórias, atribuo significados, invento vidas para os que passam absortos nas suas próprias. E esta melancolia duma tarde soalheira combina com o Hotel melancólico onde se fala de arte, de pessoas, de sentimentos, de realidade de ficção. Da nobreza da cópia, do estigma da falsificação. Da memória e da vida.

Com uma escrita mais criativa e menos ligada a constantes referencias e notas reais que me cansaram n’ O nervo ótico, uma narrativa mais romanesca e menos ensaísta e uma história ao jeito da autora que é também crítica de arte.

Saboreei o café na varanda da minha Niévski acompanhado por Hanne Boel e The shining of things. E fui aproveitando o sol como justificação para manter Hanne Boel comigo.

 

 

 

17
Abr20

Da Amazónia à Patagónia

Paulo L

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PL

 

Luís Sepúlveda deixou de me ser indiferente quando li o O velho que lia romances de amor. Uma história simples sobre a brutalidade humana, contada numa linguagem terna e cativante. O cenário, uma aldeia selvagem no interior da Amazónia. Uma tribo indígena. Um animal acossado. E um velho que lê romances de amor. Nada mais improvável. Nada mais bonito. Por entre as maravilhosas paisagens amazónicas. É também um livro sobre o prazer da leitura. Numa narrativa essencialmente descritiva a história surge-nos sem grandes sobressaltos literários, com uma agradável cadência, que não satura nem cansa numa leitura contínua. 

Em 2017 publiquei este pequeno texto a propósito deste grande escritor. Olhava o mar que sereno absorvia a minha atenção. Toda uma imensidão azul com pequenos raios de espuma branca sempre que uma tímida onda ousava mostrar-se lembrava-me as férias na amazónia e a viagem de barco pelo rio Negro ao encontro das águas com o rio Solimões e pelo Amazonas abaixo, com fabulosas paisagens de terra virgem e uma diversidade inimaginável de duma natureza fervilhante de vida.

Mas foi com Sepúlveda que conheci a Patagónia. Chileno de nascimento, não poderia deixar de exaltar outra das maravilhas naturais do planeta.  Vários romances  com histórias que lá se passaram mostraram-me a Patagónia na sua forma mais pura. Se Chatwin a descreveu, Sepúlveda enalteceu-a. 

Ficamos mais pobres mas a riqueza literária perdurará. 

11
Abr20

Em casa aproveitando O beco da liberdade

Paulo L

 

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PL

Uns dias por casa, por um bem maior, disponibilizam algum tempo, doutra forma impossível. Os trabalhos atrasados ganharam vida e os intervalos, um bocadinho mais longos, permitem devaneios culturais mais amiúde.

Reabilitam-se fotografias antigas, esquecidas pelos diferentes suportes informáticos. Relembram-se momentos vividos e emoções passadas.

A nostalgia musical vai dando lugar a novas descobertas. A leitura prolonga-se, descontraída, saborosa e o tempo lentamente desvanece até à urgência do regresso ao trabalho agora com dificuldades acrescidas pela necessidade de desligar do prazenteiro descanso.

Foi já neste ambiente de estranha monotonia quotidiana que peguei n’ O beco da liberdadede Laborinho Lúcio. Uma reflexão sobre o julgar, em várias vertentes do espectro humano, transmitida numa linguagem cuidada  com uma estrutura bipartida pelos períodos temporais definidos. A narrativa desenvolve-se com a cadência certa, não havendo tempos mortos nem desenvolvimentos rápidos, estando os aspectos reflexivos nas entrelinhas do componente descritivo. A vontade de absorver todo o conteúdo acelera a leitura e, sem se dar por isso, chega-se ao fim.

O último capítulo foi acompanhado por Charlie Haden e Gonzalo Rubalcaba nas suas soberbas interpretações ao vivo em Tokyo Adagio. O dialogo entre o baixo e o piano num tom moderado e num clima ameno de uma elegância singular, que perdurou tranquilo ao pousar do livro.

04
Abr20

Ellis, In his solitude

Paulo L

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PL

 

Morreu Ellis Marsalis.

O que dizer, quando tudo já foi dito!

Interprete fabuloso, foi pioneiro na transição duma forma muito clássica para um Jazz mais moderno. Não fugindo de certos conceitos mais tradicionalistas, reinventou os clássicos não se deixando influenciar por correntes paralelas e muito em voga como o Dixieland, por exemplo. Interprete, professor e influenciador, trouxe ao Jazz uma dinâmica única e trouxe ao público várias gerações de novos interpretes.

Dos seus quatro filhos músicos, Wynton e Branford são os que melhor conheço e que com regularidade ouço.  O trompete sempre enérgico de Wynton assenta numa prodigiosa improvisação, com uma forte base de blues e swing aliada a uma rigorosa mestria técnica. Branford optou por uma maior variedade de estilos, sucessivamente introduzidos chegando, tendo a música clássica ganhado um forte componente no seu universo musical. Foi com Eternal que me iniciei no seu saxofone. É com o seu concerto a solo na Grace Cathedral de São Francisco – In my solitude- que deixo a minha homenagem a Ellis Marsalis.

 

 

15
Mar20

Já que têm que ficar em casa, pelo menos aproveitem

Paulo L

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PL

 

O céu fechou-se num cinzento ainda claro e as nuvens taparam o envergonhado sol que timidamente nasceu  alegrando a madrugada.  De repente o aguaceiro bateu nas janelas parcialmente abertas e múltiplas gotas de água repousam agora nos parapeitos. Trocamos olhares de desconfiança. Eu não as esperava e elas não sabem qual será a sua sorte. Cria-se alguma tensão entre nós até os meus olhos se tornarem sorridentes. Já ia ficar em casa e ia! Porque não ficarem essas gotinhas de água a fazerem-me alguma companhia?

 

Feels like home e Inger Marie Gundersen também me estão a fazer companhia. Um álbum traquilo de Jazz Ballads, uma voz doce, muito doce. Uma composição melódica fantástica. A ordenação com sentido. Para ouvir e voltar a ouvir e voltar a ouvir e voltar a ouvir.

 

Terminei de ler O envangelho das enguias. Desapontou-me. Um romance ensaio que, em minha opinião, não resultou. Como ensaio, muito bom. Adquiri um conjunto de conhecimentos fabuloso, percebi a complexidade das enguias, adorei a descrição da atração ao longo de séculos pelos seus mistérios. As memórias  de infância com o pai, as suas vicissitudes, as suas descrições, cabiam numa ficção melhor estruturada e fora do ensaio exaustivo sobre o enigmático animal.

 

Resta-me agora escolher o parceiro ideal para completar a tríade Feels like home e Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo. Olho para a pilha de livros  que ansiosamente me aguardam. Olham para mim, quais gotas de chuva, com desconfiança, mas agora com a infinita vontade que pegue nalgum deles. A escolha é difícil. O Beco da Liberdade de Laborinho Lúcio. Mas peguei também num ensaio de José Carlos Pereira, O valor da arte. Não resisti ao seu olhar.

 

Fiquem em casa e aproveitem.

25
Jan20

Os bons retratos e as más instalações

Paulo L

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PL

Sendo apreciador de arte e entretendo-me nalgumas modalidades, embora em formato amador, fico sempre entusiasmado quando é anunciado algum evento que me possa encher as medidas e tornar-me num alguém mais preenchido. Foi o que aconteceu com a exposição de retratos do Henri Cartier-Bresson. Comecei logo a dizer que a não podia perder e a tentar arranjar um tempinho que me permitisse perder-me por lá durante uns reiterados quartos de hora. E foi na qualidade de aprendiz autodidata de fotografo que me dirigi à exposição do grande mestre.

 

Um turbilhão de sensações, pensamentos, reflexões e constatações perturbaram a tranquilidade mental que a tarde soalheira me propusera, pois desde o primeiro retrato nada nos fica indiferente.

 

Mais do que meros retratos, há emoções, pensamentos e formas de estar que nos são apresentadas. Fotografias intimistas nos pormenores. Ângulos e profundidades de campo escolhidos de forma a revelarem o que quer ser mostrado e a esconderem o que não é  para ser visto. Revelações da intimidade individual em retratos esporádicos ou em poses estudadas e o conjunto é brilhante.

 

A reunião de um conjunto imenso de personalidades, das artes à política, reservando uma rigorosa cronologia, assalta-me o reconhecimento de quão prolífico foi o período pós segunda guerra no seu pensamento político-filosófico, na abundante produção literária, no desenvolvimento do pensamento livre e progressista e na qualidade impar das diferentes manifestações artísticas.

 

Houve uma imposição pela qualidade que foi perdurando no tempo, contrabalançando com as efémeras composições pós-modernas que certamente não assegurarão a posteridade.

Hoje criam-se nomes e os nomes criam coisas e a essas coisas chamam arte. As esculturas passaram a instalações e as instalações representam ideias. E as ideias são arte. E o conceito modifica-se. Para melhor? São os tempos modernos...

 

Se entendo o conceito da obra de Banksy que se autodestruiu após ser licitada por um milhão de libras na Sotheby’s, já tenho muita dificuldade em perceber a banana colada com fita adesiva. Talvez o conceito de Wilde, numa tradução livre, de que pior do que ser alguém de quem se fala é ser alguém de quem não se fala, seja agora levado ao extremo. A banana colada com fita adesiva que Maurizio Cattelan expos e chamou “Comedian” é arte ou gozo? A escultura que Pedro Cabrita Reis plantou em Leça da Palmeira, pomposamente A Linha do Mar, é demasiado conceptual ou é apenas Pedro Cabrita Reis? O Ovo de Colomboda era moderna.

 

Começo a achar que se esta minha crónica fosse escrita por alguém de nome, do meio artístico, jornalístico, cultural, intelectual, excêntrico, ... , cravejada de figuras de estilo ou fruto de algum escritor fantasma de alguma figura pública, estaria a ser publicada nalguma revista domingueira, num blogue com centenas de visitas ou destacada num site com grande audiência. Mas já fico feliz se alguns dos meus amigos se derem ao trabalho de procurar este pequenino blogue.  

 

 

02
Dez19

A beleza da leitura sensorial

Paulo L

Há livros que são mais que livros quando a sensibilidade da escrita transforma a leitura num processo sinestésico.

Em Kyoto Kawabata traz-nos o aroma das cerejeiras em flor, dos cedros, da terra húmida e em Terra de Neve mostra-nos a delicadeza do toque do inverno, do frio gélido e da maciez da neve.

Valter Hugo Mãe percorrendo a labiríntica floresta japonesa segue, em Homens imprudentemente poéticos, a beleza narrativa que o Japão interior transporta associada à interiorização imaginativa que se percebe numa narrativa poética desconstruindo toda uma simbologia de afectos onde a ternura e o amor se mostram com roupagens diferentes.

A musicalidade associada a este livro contrasta com aquela em A desumanização onde o constante silêncio da solidão é frequentemente interrompido inquietação da natureza. E é assim que tratada a dor, o luto e a complexidade das relações humanas. Sente-se na pele.

Uma percepção de musicalidade na escrita encontramos também em Mário Cláudio e Guilhermina continuando pelo O fotografo e a rapariga complementado por uma narrativa descritiva em formato de pintura ou fotografia a imagem se sobrepõe ao som.

Este tipo de narrativa surge também em Shalimar o palhaço. A mestria de Rushdie como contador de histórias é transversal a outras obras e não posso deixar de fora Luka e o fogo da vida. Os textos vão fluindo num desenvolvimento mágico e cativante que se esperam duas coisas antagónicas, o anseio de chegar ao fim e a esperança de não terminar, tão bela é a prosa.

O teor mágico surge também em Paulo Coelho. Brida, O Alquimista e Diário de um mago seriam as minhas sugestões e por esta ordem. Exatamente a ordem inversa pelo que foram escritos.

Ao falar em Rushdie vem-me sempre à ideia Para onde vão os guarda-chuvas. A leitura deste soberbo romance foi acompanhada com uma constante constatação que poderia estar a ler Rushdie. É uma opinião minha. Talvez apenas eu tivesse esta impressão, talvez esteja completamente errado.

Há hora e meia que não sei o que estou a ouvir. Absorto na escrita, a música surge ao fundo. Uma sinfonia que poderá ser do período pós-romântico.  

E, antes de sair do escritório, num último olhar pela estante, pego e folheio Meu amor muito querido... e os meus olhos param quando leio “Juntos, eramos tão felizes quanto o podem ser um homem angustiado e uma mulher apaixonada”.

 

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