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Lata de Conversas

Lata de Conversas

22
Jun19

Cinco sentidos - A visão

Paulo L

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PL

 

 

A manhã ia soalheira, o passeio tinha sido simpático e o descanso já se impunha pois 2 ou 3 gotas de suor teimavam persistir na fronte apesar dos repetidos cuidados para as banir completamente. A máquina fotográfica pesava numa mão e o livro escorregava na outra, também eles a pedirem, uma o merecido repouso, o outro uma oportunidade de se mostrar pela última vez. Sentei-me no café. Abri o livro. Olhei para a porta. A luz exterior rivalizava com a serena penumbra interior. As roupas vivas de quem passeava tornavam-se mais vivas. O café deliciosamente aromático esperava pela amena temperatura de degustação. Por fundo, o borburinho das muitas conversas. Antes do livro, a máquina. E a fotografia saiu. Depois o livro. O suave descanso da máquina. Meia hora era suficiente, mas transformá-la numa hora seria fabuloso. Terminei o livro. Mais um do Kawabata. Sobre o livro, o mesmo dos anteriores. Imperdível. Uma obra prima. Absorve-nos tanto como o absorvemos. Mais que uma leitura, é um prazer dos sentidos. Os aromas, as imagens, os sons. As memórias, a velhice, o amor e  A casa das belas adormecidas.

19
Mai19

O silêncio do barulho

Paulo L

O barulho das coisas ao cair fez-me lembrar Maurits Cornelis Escher e as suas imagens não reprodutíveis no mundo real. Foi um pensamento abstracto mas substanciado nas duas premissas  seguintes. Sendo o tema de fundo o narcotráfico, a sua existência devia ser tão fictícia como as imagens de Escher. As várias histórias que preenchem o livro suportam-se nas diferentes escadas de Relativity. Desafiando várias normas, vão surgindo em vários sentidos. Aproximam-se ou afastam-se? Vamos percebendo o seu desenrolar, a bom ritmo, com a informação a surgir na altura certa. O contar da história é feito com recurso a outras levando-nos ao sentimento ambivalente que é também partilhado pelas personagens. São postos em causa valores fundamentais como a família, o amor e a destruição social. Valores que nos vão sendo mostrados ao longo da narrativa cuja contextualização vai sendo percebida, não surgindo ab initio como uma imagem global. É ao longo do livro que vamos percebendo as diferentes histórias e a sua ligação, sendo que este entendimento vai aumentar a curiosidade do final, que, como seria de esperar, eu não vou partilhar.

Apesar da muita gente, é curioso percebermos que as figuras relevantes desta história são solitárias. Na sua forma se ser, na sua forma de estar, na sua forma de viver. Faz-nos pensar.

Da mesma forma que me faz pensar In my solitude. Um álbum a solo de Branford Marsalis, gravado ao vivo na Grace Cathedral em São Francisco. Um concerto meditativo, intimista, para saborear em silêncio.

03
Mai19

Meditação

Paulo L

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Ama-me,
Talvez não haja amanhã.
A luz que me ilumina
Rápido se desvanecerá.
Lenta morte,
Não de corpo mas de sorte,
Sorrateira se aproxima
Vinda de qualquer norte.
Sente meu corpo frio
A ansiar o teu regaço,
Calado e entorpecido
A pedir o teu abraço.
Sente a minha mente vazia,
Em teus olhos suspira
O doce sorriso que me serve de guia.
As águas turvas, os ventos bravios
A minha alma chamam
Como as sereias os navios. 
Dá-me o alento,
Dá-me o sustento,
Dá-me a ilusão de um sentimento.
Tira-me da loucura
De te sentir ausente. 
Dá-me a ternura
Dum amor presente. 
Se houver amanhã,
Se o calor voltar,
Se eu tiver força para te abraçar.

Descerei ao mundo,

Sairei do fundo.

Regresso ao meu porto,
Ao meu abrigo,
À saudade que tenho

De estar contigo.

 

23
Mar19

Après un rêve

Paulo L

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Porque gosto de Fauré e porque gosto de Roland Hanna e porque não me apetece dizer mais nada...

Talvez porque o título já diz tudo e porque há sonhos que são só meus.

 

05
Mar19

Mardi Gras

Paulo L

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O Jazz, com uma importante ligação umbilical a Nova Orleães, com uma origem popular e suportada por influências afro-americanas, foi evoluindo num contexto cultural multifacetado. Se por um lado foi mantendo o seu cariz mais popular e abrangente, ao longo do seu crescimento foi incorporando outras tendências, integrando  desde influências sul-americanas, como evoluindo numa linha mais clássica e fechada, muito menos abrangente e mais intimista. Transversal a todas as formas é capacidade criativa e de improvisação do músico de Jazz. Há quem defenda uma menor propriedade do Jazz gravado pois não permite esta improvisação, mudança de ritmos e de harmonias. Não permite o diálogo entre músicos tão necessário para a beleza conceptual do Jazz. Na gravação o tema é sempre ouvido da mesma forma, não permitindo que o ambiente modifique o modo de interpretação e a qualidade das improvisações. Deixarei para outras alturas discussões escolásticas dos limites do jazz. A manutenção do arquétipo mais restrito ou a fusão a novos estilos. Até onde o Jazz é Jazz ou se começa a deixar de o ser. O que levanta outra questão. O que é o Jazz? Um tipo de música restritiva, uma manifestação artística abrangente?

 

Comecei a manhã com  Herbie Hancock. Foi por acaso. Talvez um acaso programado. Nesta época carnavalesca, uma festa que pode ter origens tanto pagãs como religiosas, com interpretações que vão desde a mudança temporal até ao período da abolição da carne, podemos ter apetências mais marcadas para diferentes estilos de viver o Carnaval. Desde os desfiles aos ritmo do samba, passando por corsos alegóricos e imbuídos de inúmeras críticas sociais e políticas, até ao garboso Carnaval de Veneza onde a nobreza disfarçada se misturava com o povo, há festejos ao gosto de todos. Não sendo o samba um dos meus estilos musicais preferidos e aproximando-me dos estilos mais europeus dos festejos, tenho, contudo, uma predileção especial, talvez pelo meu gosto jazzístico, pelo Mardi Gras. Inspirada em celebrações pagãs foi integrada pela tradição cristã. Chegou aos Estados Unidos e instalou-se perto de Nova Orleães.  Hoje é uma das festas com maior popularidade, sendo as de Nova Orleães, Mobile ou St. Louis algumas das mais concorridas. Os desfiles em Nova Orleães além do barulho típico das ruas, estão cheios de música com uma tonalidade festiva onde os diferentes instrumentos se misturam numa harmonia divertida que convida a dançar na rua. E Herbie Hancock enquadra-se bem. Apesar de não estramos na presença do verdadeiro Dixieland, bem mais enquadrado, Hancock acabou por me levar às ruas de Nova Orleães.

17
Fev19

Do Latin Jazz ao Afro

Paulo L

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Gosto de Gonzalo Rubalcaba.

 

Foi com Straight Ahead o meu primeiro contacto com Rubalcaba. Já lá vão muitos anos. Um som alegre, envolvente e cativador. Uma noite quente de verão. O swing cubano assume a sua máxima expressão. Não sem a doce melancolia de alguns temas a contrabalançar e a harmonizar em contraditório. Ao longo dos temas vamos alternando entre sons mais vivos com ritmos bailados e solos rítmicos, tecnicamente irrepreensíveis a mostrar toda a galhardia interpretativa. Sempre com uma sonoridade quente e muito dançante.

 

Seguiram-se outros álbuns, alguns a solo. Todos muito bons. Recordo as parcerias com Joe Lovano ou Charlie Haden.

 

Agora numa onda menos latina, mais colada ao jazz clássico, mantém no entanto permanentes fugas para a fusão com estilos emergentes.

 

Com uma sonoridade completamente diferente, e com uma estrutura harmónica muito mais complexa, tirando partido de inspiradas improvisações, surge, tardiamente para mim, Faith. Com uma sonoridade mais africana, mantém os ritmos quentes sul-americanos numa fusão intensa. Uma tonalidade místico-religiosa, muito presente no componente vocal, com timbres delicados mas fortes, apoiados na percussão em confronto com o saxofone, que tanto concorre como contrapõe.

 

Deixo estas duas sugestões para um domingo que, ao olhar pela janela, não sei como vai evoluir, mas que uma coisa é certa. Rubalcaba adequa-se ao emergente sol ou aos delicados pingos que chuva que possam surgir. De olhos fechados viajamos de Cuba a áfrica com a verdadeira certeza de que iremos sempre querer repetir.

 

23
Dez18

Ebenezer Scrooge

Paulo L

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Todos conhecemos Ebenezer Scrooge. 

O velho avarento de Dickens que regressa todos os Natais.  Atormentado pela cobiça e pelo passado, recebe a visita de três fantasmas, o do Natal Passado, o do Natal Presente e o do Natal Futuro. Feliz no seu passado, infeliz e detestado no presente, vê o seu futuro de solidão e morte numa tristeza profunda e infinita. Terminado este sonho Scrooge percebe que ainda está a tempo de mudar. É véspera de Natal.

O livro está demasiado bem escrito. A caracterização das personagens é soberba. Consegue que o leitor nutra por elas diferentes sentimentos. A mesquinhez de Scrooge é asfixiante. Conseguimos facilmente odiá-lo, da mesma forma que criamos uma enorme simpatia pelo seu empregado Bob ou mesmo pelo Fantasma do Natal Presente.

Esta é também uma época em que sabe bem ter de fundo alguma música de Natal.

So this is Christmasthe John Lennon é uma excelente canção para a época e podemos aprecia-la na voz de Celine Dion, com uma delicadeza vocal e um arranjo de elevdo realce melódico.

03
Dez18

Eça, porque não?

Paulo L

A obra de Eça de Queirós, na sua visão crítica duma sociedade sempre actual, que se repete a cada década, não se esvaziando de forma ou conteúdo e que cada época a preenche na sua plenitude mantendo um status quoinalterado, traduz a imutabilidade social e política de várias gerações que se vão sucedendo aparentemente num registo de mudança que se percebe apenas superficial.

 

De toda a sua obra, que com muito agrado fui lendo, nos muitos anos da minha juventude, e que agora me vão ficando serenas lembranças e sólidas recordações de críticas mordazes e histórias profundas, não posso deixar de realçar, por motivos diversos, A relíquia, o Alves e Companhia e Os Maias.

 

Se bem que tendo que escolher, a minha opção pendesse em A relíquia, onde Teodorico Raposo e D. Maria do Patrocínio protagonizam o mais brilhante dos romances de Eça, é a propósito de Os Maiasque vou gastar as próximas linhas.

 

De leitura obrigatória no Ensino Secundário, passou neste ano lectivo a obra opcional, podendo os Srs. Professores optarem, penso não estar errado, por outra obra do Autor, que pensem melhor se adequar à classe em questão. Como cumprem agora 130 anos de existência Os Maias(e Eça) são alvo da atenção da Fundação Calouste Gulbenkian, com honras de capa na Visão, o que felicito, cabendo a várias personalidades comentarem, num punhado de páginas, sob a pena de Sílvia Souto Cunha, a mestria do autor.

Em páginas separadas coube a Afonso Reis Cabral escrever uma Carta ao aluno que não lê “Os Maias”. Se quando ganhou o Prémio Leya achei  que a melhor forma que teve de o publicitar foi dizer que não ganhou por ser trineto de Eça, e não pelo livro em si, aqui já concordo em absoluto com o que escreve o Trineto. Quem fica a perder é quem não leu Os Maias. A descrição do Ramalhete não é uma seca, é uma descrição primorosa que só por si deveria ser escalpelizada obrigatoriamente nas aulas de português. E ao longo das três gerações da família, Eça vai mostrando uma sociedade que perdura para além do século XIX e que, em pleno século XXI, com roupagem moderna, está instalada e para ficar. Na sua linguagem intemporal Os Maiaspodiam ser qualquer família do centro de Lisboa, mas também do Porto ou de Coimbra, ou mesmo de Ponte de Lima, Viseu, Guarda ou Setúbal .

 

Já lá vão muitos anos desde que li Os Maias. Não me lembro se Carlos da Maia e Maria Eduarda apreciavam música. Apesar da escrita realista, fugida do período romântico, espelhando uma nova forma de modernidade descritiva, eu consideraria para acompanhamento o Concerto para Violino e Orquestra  de Max Bruch, um compositor alemão do período romântico.

 

 

 

23
Set18

A arte moderna e Eu ou A síndrome de atração - repulsão

Paulo L

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PL

 

A arte moderna surge num período de conceptualização, em que o relevo pictórico passa a um segundo plano. Como o conceito de arte é muito lato, muitas vezes para além daquilo que é perceptível, pelo menos por mim, passamos a uma circunstância em que a transmissão da ideia se concretiza num processo artístico sem que representação associada assuma uma estética canónica.

Observamos esta realidade duma forma transversal a todas as disciplinas artísticas. O compreender vai substituindo o gostar e a adopção da mensagem  como pertença partilhada assume-se como fundamental.

Pessoalmente, tenho dificuldade em entender este paradigma. Se entendo que é importante passar a mensagem, entendo também que a arte tem que ser representativa e pictórica.

Recentemente visitei a exposição “Arte e China após 1989”. Uma exposição colectiva de artistas de vários locais da China e do mundo, que, como é descrito, as suas provocações críticas visam forjar a realidade livre da ideologia, estabelecer o indivíduo à parte do coletivo e definir a experiência chinesa contemporânea em termos universais. Balizada pelo final da Guerra Fria em 1989 e pelos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008 é analisada a cultura da experimentação artística durante um período caracterizado pelo início da globalização e o surgimento de uma China recentemente poderosa no cenário mundial.

Se consigo perceber a premência da liberalização do pensamento com uma exponenciação artística que extravasa a repressão dos muitos anos passados de ideologia unitária subjugada aos valores vigentes, não compreendo assim tão facilmente a pobreza da representação artística. A par da emanação conceptual   não se encontra a explosão imaginativa  requerida para a perenidade do motivo. E por isso, para mim não foi mais do que um grito passageiro de liberdade criativa que não figurará na história da arte contemporânea.

Talvez seja este tipo de representação que esteja a obrigar a uma progressiva transição para um pós-modernismo hiperrealista, já em voga, por exemplo, na pintura. Noutros segmentos como a música, encontramos ainda caminhos paralelos entre uma estética musical moderna, bem preparada, agradável de se acompanhar, albergando géneros que vão do jazz ao fado e outros que pretendem transmitir ideias e não belezas. Na literatura penso que esta fase já está ultrapassada e muitos dos autores contemporâneos estão a mostrar o muito bom que se está a escrever quer em riqueza linguística quer em diversificação temática.

On a smiling gust of windacompanhou-me na última hora, com a sua modernidade estética não conceptual, deixando-me, mais uma vez rendido à música de Florian Favre.

 

20
Ago18

Férias e livros

Paulo L

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O início das férias é sempre coincidente com o início de um livro. Por mera casualidade ou talvez por minuciosa subconsciente programação. Pena é não haver férias muitas vezes no ano para os livros se sucederem, como os meses se sucedem, a espaços conhecidos numa aprazível tranquilidade, sem sobressaltos nem contratempos e com muitos momentos bem vividos e saboreados.

Saio para descansar sempre acompanhado com um ou dois livros e uma ou duas revistas. Desta vez a escolha foi mais fácil porque já estava programada. O meu objectivo de férias, no que diz respeito às leituras, pois o resto são outras histórias que passam por cidades, museus, concertos, festas, romarias, praias, piscinas, esplanadas, caminhadas, cervejas e, sempre que possível, algum descanso, é livro e meio, se possível dois livros. Vou escrevendo algumas notas para o blogue, procurando novos livros e novas músicas, tentando perceber alguns acontecimentos da nossa história sediados nas terras por onde vou passando e, quando o tempo me ajuda, rabisco no computador os textos que vão saindo.

Hoje, sentado na varanda de um qualquer hotel, tendo entre mim e o mar apenas uma piscina e alguns metros de areia, roubando tempo aos preciosos mergulhos na ondulação meã entre a preia-mar (agora também dito praia-mar) e a baixa-mar, resolvi falar do livro que trouxe para me entreter quando o calor não aperta na praia ou a esplanada me presenteia uma gelada cerveja dum nome bizarro que as artesanais têm agora a mania de colocar.

Ainda a meio da leitura, apeteceu-me começar a falar dele porque, ainda pouco iniciado e já o tipo de escrita me estava a prender duma forma pouco habitual e de uma forma que há algum tempo um livro não me prendia assim. Não me interessa a veracidade histórica, interessa-me a estória do livro, interessa-me a forma como está escrita, interessa-me a narrativa, interessa-me a ligação dos personagens, interessa-me o conteúdo. Interessa-me acima de tudo que me surpreenda pela sua qualidade. Foi isso que aconteceu. Quem começa um livro assim, só poderá acabar melhor. Não acredito que com o continuar da leitura vá perder a qualidade. Antes pelo contrário, estou francamente convencido que vai ser sempre a melhorar. E estou tão agradavelmente surpreendido que me escusei de procurar comentários e apreciações ao livro. Simplesmente quero lê-lo ausente de influências. Refiro-me a “Os loucos da rua Mazur” de João Pinto Coelho.

Vou-me abstraindo do ruído que me envolve pela própria leitura. Às tantas já não há lugar para mais nada. Apenas para o texto que vai crescendo em forma e conteúdo. Intervalo-o comum ou dois goles da simpática loura gelada e nessas alturas aprecio também o mar. Calmo, com uma ou outra onda mais destemida, azul claro e luminoso. Que bonito está. Que contrastante com o dilúvio de emoções que o livro transborda.

Fico na dúvida se me apetece ouvir o Concerto para violino e orquestra de Tchaikovsky ou a Sinfonia nº 5de Gustav Mahler. Talvez mais algumas páginas do livro ou o evoluir das ondas do mar me dissipem a duvida.

 

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