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Lata de Conversas

Lata de Conversas

13
Mai17

Um postal que pode ser de qualquer lado

Paulo L

Repleto de personagens com histórias engraçadas, que se entrelaçam em tempos e locais diferentes, Um postal de Detroit, poderia ser um postal de qualquer lado. Partindo dos cadernos de desenho da irmã, o narrador desenvolve ao longo do livro, num tom umas vezes descritivo e noutras vezes narrativo, uma descrição dos intrincados laços interpessoais dum conjunto bizarro de personagens, nas mais diversas situações quotidianas, em que se percebe, por entre a amálgama descritiva, um fio condutor coerente e bem urdido que nos leva, no fim, ao entendimento global das vidas aqui partilhadas. Tudo começa com a procura incessante de Marta, que desaparece após um acidente de comboio, e que fica ao critério do leitor a decisão quanto ao seu encontro. Um dos pontos altos deste romance, no meu ponto de vista, é a relação do narrador com a irmã desaparecida. Ele toma as rédeas da história, burilando todos os personagens duma forma irrepreensível, entrelaçando as suas vidas trágico-cómicas, com excertos que vão duma delicadeza sentimental apurada à rudeza de algumas passagens encarando uma violência psicológica substancial. E ao mesmo tempo torna-se no personagem mais ausente da história. Aquele que foi sempre excluído dos cadernos de Marta. Como anteriormente já fiz referencia, não gosto de contar a história nem de transcrever alguma sinopse dos livros que exponho. Deixo essa procura ao leitor. Gosto apenas de deixar algum comentário do que mais me chamou a atenção, do que gostei ou não, despertando de alguma forma no leitor a vontade de procurar o resto. Sendo apenas um amante da leitura e não um perito em literatura, os meus comentários apenas se podem basear no gosto e na interpretação que faço dos livros, podendo, em muitos casos serem apreciações erradas e completamente ao lado do fulcro temático. Confesso que não tinha expectativas quando comprei o livro. Não me interessou se iria gostar ou não, se iria ser bom ou mau. Interessou-me apenas o facto de ter gostado do primeiro livro de João Ricardo Pedro, O teu rosto será o último. Ao compará-los encontro algumas analogias em termos de narrativa, com uma construção conceptual idêntica, mas, para mim, muito melhor conseguida neste Um postal de Detroit, onde encontrei uma maturação literária importante relativamente ao primeiro romance. Não sei se se retira ou não qualquer conclusão deste livro, mas é um livro que merece ser lido.

Tive uma certa indecisão para complementar musicalmente a leitura do livro. Talvez esta conjugação de personagens se enquadre bem numa diversidade de locais que podemos encontrar em Brad Mehldau e Places.

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