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Lata de Conversas

Lata de Conversas

20
Mai17

Sete pecados capitais – a gula

Paulo L

Alternadamente com um vasto universo de temas, dedicarei algumas reflexões a livros que abordem o tema dos pecados capitais.

Se a arte de bem cozinhar e de melhor comer está dispersa por inumerável conjunto de livros, e excluo aqui os livros de culinária, é porque este sempre foi um dos temas preferidos do ser humano. E apesar da actual mudança de hábitos dietéticos, a felicidade tem sido exposta sempre após copiosas refeições. Há disso vários exemplos, alguns transpostos também para cinema, e o tema vai-se perpetuando porque mesmo percebendo-se que o prato deve ser cada vez mais vazio e colorido, o olho continua a ser cheio e gorduroso. Começando com A grande farra, um filme franco-italiano em que quatro homens decidem refugiar-se numa mansão e comer até morrer, passando pela subtileza de A festa de Babette de Karen Blixen, adaptado ao cinema por Gabriel Axel ou por Chocolate de Joanne Harris também cinematografado e com brilhantes interpretações de Juliette Binoche e Johnny Depp, não pararia de dar exemplos e sugestões.

O clube dos anjos é um pequeno livro de Luis Fernando Veríssimo que nos fala da gula. Da gula levada ao um extremo que, mesmo sabendo que a morte vai surgir, não se deixa de apreciar a suculenta refeição confeccionada por um chefe, inicialmente desconhecido de todos, mas que ao longo do livro se vai tornando num personagem deveras intrigante. Dez amigos reúnem-se em jantares onde o anfitrião é o responsável pela qualidade gastronómica daquilo que apresenta. A história vai-se sucedendo com a introdução dos defeitos e qualidades de cada um dos dez amigos e com o perceber de qual o seu preto preferido. A meio entra um novo personagem numa casualidade propositada que, fruto da sua mestria de cozinheiro e especialista na escolha e aquisição dos ingredientes, vai passar a ser o chef oficial dos banquetes. E após cada banquete um dos dez amigos morre. Não vou dizer como nem porquê, vou aconselhar a leitura do livro. Muito mais que a gula, há uma euforia em torno dos novos pratos, em torno dos sabores e em torno de toda aquela realidade mística dos paladares. Uma caminhada sem retorno que nenhum dos participantes quer abandonar mesmo sabendo a que fim está destinado. Para ler e saborear... mas sem uma gula desmedida.

Um senão. O livro está escrito em “português do Brasil”, o que quer que isso queira dizer.

 

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