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Lata de Conversas

Lata de Conversas

14
Jun17

Para se ir lendo

Paulo L

Hoje terminei a leitura do terceiro conto da Granta – Comer e Beber. Não sabendo ainda o que vem depois, estes seguem uma ordem particular, intencional ou não. Tatiana Salem Levy começa por pela primeira refeição, continuando-se por Alexandra Prado Coelho que expõe a sua juventude, passando para Richard Zimler que, numa associação de ideias, fala do fim. Segue-se a Última Ceia, mas a revista é para se ir lendo.

Tatiana S Levy levanta umas interessantes da gravidez, parto e puerpério, contrapondo a felicidade da situação com as sucessivas complicações e o medo do desconhecido, terminando na primeira refeição. Um bom inicio do tema principalmente com a surpreendente contradição final.

Alexandra Prado Coelho conta-nos a sua infância por Lisboa e a sua adolescência na praia. As suas recordações alimentares são, talvez como num grupo grande de crianças, mais dedicadas aos alimentos proibidos. Curiosa recordação. A pressão posta hoje nos cuidados alimentares, particularmente nas crianças, pode, sem dúvida, moldar o tipo de recordações que temos. Porque achamos tão apelativos os bolos e todo o tipo de guloseimas, recordando-os com saudade e tratando-os como se hoje não estivessem ao nosso alcance. Na realidade eles continuam pelos mesmos locais, só que transformamos a pueril vontade de os comermos no remorso violento de os termos comido. O avançar da idade foi-lhe esmorecendo as lembranças gastronómicas, realçando outras, com a ingenuidade da adolescência e a naturalidade da idade adulta. É curioso o facto de todas as praias serem iguais. A minha, uns quilómetros mais a norte, sofre dos mesmos pecados. As mesmas barracas listadas a azul e branco, as mesmas vendedoras de pastéis e pães de leite, as mesmas apregoadoras de bolacha americana, mas aqui mais conhecida por línguas da sogra. Até o percurso da infância à adolescência se vai repetindo ao longo das gerações.

Richard Zimler levanta-nos outras questões. Com a sua habitual sensibilidade toca em pontos delicados, ainda transversais à sociedade, com a subtileza de os introduzir a propósito duma refeição mal conseguida. No fundo, talvez o melhor de tudo, tivesse sido mesmo a própria refeição.

Enquanto esperamos pelos próximos contos, fiquemos com um bocadinho da natureza, que tive o prazer e a oportunidade de expor numa colectiva de fotografia.

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PL 

 

 

 

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