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Lata de Conversas

Lata de Conversas

19
Jun17

O limite das 250 páginas

Paulo L

De vez em quando passa-me pela cabeça não ler livros com mais de 250 páginas, assumindo o facto de que uma história bem contada, com bom ritmo e sem redundâncias que fazem perder a vontade de continuar a ler, cabe em 250 páginas.

Não é promessa, mas se fosse, estava constantemente a quebrá-la. O que mais uma vez aconteceu com Os luminares. Numa linguagem descritiva, a história passa-se ao longo destas quase 900 páginas, onde o presente e o passado se misturam e várias histórias se entrelaçam, chegando a um surpreendente final. A narrativa vai evoluindo a bom ritmo, aumentando a cadência ao longo do texto, aumentando a vontade de chegar ao fim rapidamente. Missão impossível, uma vez que temos que ir aproveitando os recortes descritivos dispersos na narrativa, que embelezam o texto e vão dando recortes duma Nova Zelândia do século XIX, em ascensão devido ao crescimento da exploração mineira, da corrida ao ouro e do trafico de ópio.

A descrição dos personagens vai surgindo duma forma independente até ao complexo enquadramento final, onde se começam a perceber mais a fundo as relações, alternando com descrições fora de época que ajudam na compreensão deste puzzle humano.

Histórias antigas que se entrelaçam com o presente e que desvendam atitudes, pensamentos, formas de estar e de agir. A teia vai-se fazendo e desfazendo, aumentando a curiosidade do final.

Um livro muito bem escrito, onde não se notam as 900 páginas a passar. Nota-se sim a história duma Nova Zelândia em crescimento, os problemas da imigração, as intrincadas histórias relacionadas com as minas de ouro, a prostituição muito presente, como que fazendo parte da rotina diária normal dos diferentes estratos sociais. Um thriller histórico em jeito vitoriano, onde a preciosidade literária sobressai e o gosto pela leitura é despertado.

Aliado ao espectro astrológico que vai orientando o destino das diferentes personagens, podemos contemplar este soberbo romance de Eleanor Catton ao som de António Pinho Vargas e Solo II.

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