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Lata de Conversas

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22
Out17

Inevitável, o Nobel

Paulo L

Nunca li Ishiguro. Portanto, não vou falar de Ishiguro nem de nenhum dos seus livros. Não sei se é merecedor ou não do prémio, certamente é-o.

Conheço alguns autores que também o são, pelo menos na minha opinião, mas que nunca será tida em conta pela Academia Sueca. Também não conheço esses Senhores, e a quota de Senhoras; nos dias de hoje os intelectuais que, por definição, são de esquerda, esqueceram as normas gramaticais portuguesas, inventaram a igualdade de género, criaram um terceiro género e obrigaram os políticos nos seus discursos a dirigirem-se à população dizendo “portugueses e portuguesas”. Espero que nunca ganhem o Prémio Nobel da Literatura.

Já que comecei com polémicas...

Há os defensores de Saramago e os defensores de António Lobo Antunes. Há aqui uma clara vantagem para os defensores de Saramago. É que Saramago já ganhou o prémio. Mas por sorte, eu sou defensor de Lobo Antunes. Lobo Antunes lê-se e entende-se; Saramago entende-se mas não se lê.

A literatura para mim é uma comunhão entre uma ideia e um texto. Uma ideia com a qual concordamos ou não, mas um texto que não pode fugir aos cânones linguísticos dum país. Esta associação muito presente em Lobo Antunes, para mim é inexistente em Saramago. O conceito de oralidade textual também nele é difícil de se explicar. Uma vez foi-me dito que a melhor maneira de ler Saramago era em voz alta, que a sua escrita era essencialmente um discurso oral. Ao ler em voz alta ultrapassavam-se os cânones gramaticais, sobressaindo a ideia transmitida duma forma mais natural. Mais uma linguagem conceptual que um mero exercício da arte de bem escrever. Lá fui eu todo entusiasmado com o conhecimento adquirido mas rapidamente me vi ao lado do Carlos Lopes e da Rosa Mota numa maratona infindável de palavras, quase a bater o recorde mundial de apneia, até chegar ao ponto final seguinte que sentenciava a frase de meia página, dando origem ao período seguinte igualmente grande e confuso, donde também não se tirava igualmente nenhuma ideia, sendo necessário atingir o ponto final final para que a ideia se concretizasse de forma inequívoca. Tanto a Jangada de Pedra como o Ano da Morte de Ricardo Reis são bons exemplos do que acabei de dizer. Se gostei? Gostei. Gostei da ideia, não gostei do texto. Talvez os lesse outra vez, talvez os aconselhe a ler. A ideia é maravilhosamente conseguida, o texto é maravilhosamente desestruturado e confuso.

Neste contexto interpretativo de literatura surge um outro ponto conflituoso que é o da atribuição, o ano passado, do Prémio a Bob Dylan. Não quero estender-me no texto, não vá ser considerado um ensaio, e eu ainda ganhe um prémio qualquer, e por isso remeto à leitura do texto de Bruno Vieira Amaral na revista Ler intitulado “O Nobel Mais Polémico”.

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