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Lata de Conversas

Lata de Conversas

18
Jun17

Como as cerejas

Paulo L

Costuma dizer-se que as conversas são como as cerejas, porque vêm umas atrás das outras, tornando difícil parar.

É um bocadinho a ideia destas conversas, que de umas se saltem para outras mantendo a inesgotabilidade dos temas. A maioria das vezes terão por fundo um livro, um texto, um poema, uma imagem uma reportagem, um conto, ou mesmo nada. Apenas a incontornável vontade de conversar. E a lata serve para se irem guardando as conversas.

A beleza das conversas está na diversidade de interlocutores, na abundância de temas e também na forma de abordagem que cada interlocutor tem para cada tema. Desde um pragmatismo monocromático assente num pensamento linear e pouco flexível, banalizando tudo o que se torne acessório para o desenvolvimento da ideia, até uma fascinante poética descritiva, adjectivando todo e qualquer pormenor e dando um colorido pluricromático, levando a que, por vezes, se perca o fim primordial do assunto em questão. A sabedoria está no conhecimento do interlocutor e na subtileza com que nos conseguimos mover ao longo deste espectro, mantendo sempre a atenção e o contraponto adequados, permitindo que a conversa flua dentro do seu ritmo próprio, com as variações adequadas, ou sem elas, levando a que não se quebrem aqueles pés finos de cereja, que as permitem sucessivamente continuar a surgir mantendo o interesse e a originalidade como se da primeira se tratasse.

Ao longo dos anos tenho-me cruzado com pessoas absolutamente fascinantes, com quem aprendo a essência e a beleza das coisas, o apreciar de pequenos momentos, o valorizar sensações quase imperceptíveis, o ver o que de importante pode surgir apenas num simples sorriso. Tenho aprendido duma forma simples mas importante a essência de muitas profissões. Tenho aprendido o mundo em todos os seus aspectos, sociais, económicos, laborais, políticos, humanísticos, místicos, eu sei lá... Tenho enriquecido com o que falo, com o que leio, com o que vejo e com o que ouço. E tenho-me cruzado com pessoas que me ensinam a não ser como elas. De toda a gente com quem me tenho cruzado, aprendo sempre alguma coisa. Esta é a essência do conhecimento, aprendermos com todos e a essência da sabedoria está em distinguir o tipo de aprendizagem a fazer.

Hoje não falei de livros nem falei de música. Falei de pessoas. De pessoas com quem gostamos estar e de pessoas com quem o estar também nos ensinou a não seguirmos os seus exemplos.

Esta é também uma conversa com lugar na Lata de Conversas, porque a Lata de Conversas é um lugar para se falar.

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 PL

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