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Lata de Conversas

Lata de Conversas

27
Abr17

A escolha

Paulo L

A procura de originalidade a todo o custo dá mau resultado, a não ser com tipos geniais, e estes são muito raros.”

Começo com esta frase de João Bicker para introduzir o tema de hoje, a escolha de um livro. Todos os dias nos deparámos com uma panóplia de novidades, reedições, comentários, críticas, publicidade, promoções, lançamentos, etc. Alguns livros chamam-nos a atenção mais do que outros e, nem sempre, são os melhores. Mas há coisas que nos fazem olhar para eles. O meu processo de escolha de um livro reveste-se de algumas particularidades. Vamos deixar de lado aqueles livros que me são recomendados por alguns amigos, que conhecem os meus gostos, e que naturalmente eu vou lê-los.

Normalmente o processo inicia-se pela conjugação da capa com o título. Se o design me for agradável por algum motivo, leio o título e pego no livro. Se o título me for chamativo, olho para o design e pego no livro. E dois passos sucedem-se por esta ordem, leio na capa ou na badana o resumo e folheio-o para ver o tipo e o tamanho da letra em que está impresso e o espaçamento entre as linhas. Tudo isto tem que me agradar. Percebe-se bem que um bom título é uma boa montra. O aspecto gráfico chama-nos a atenção para livro. Mas mesmo com estes dois aspectos positivos, o meu subconsciente faz-me repelir livros que percebe que vai ter dificuldade em ler pelo seu grafismo. Tranquilamente ia achando que era uma mania minha, que talvez se devesse ao facto de ficar mais cansado pela letra pequena e as linhas pouco espaçadas, até que, ao comentar com algumas pessoas este facto, me foram dizendo que também tinham alguma dificuldade em ler estes livros. Bem, já não era só o meu cérebro que era complexo, esquisito. Deixei de me sentir sozinho neste capítulo. E tudo se clarificou quando li a entrevista com João Bicker e que aconselho vivamente. Não só me clarificou alguns pontos relativamente ao design gráfico e ao trabalho de tipografia, como já me fez alterar o tipo de letra e a formatação de alguns trabalhos que tive que fazer. Nunca é tarde para aprender. Aliás, como também se costuma dizer, vive-se a aprender e morre-se sem saber. A aprendizagem não é mais do que o aumento da ignorância. Sempre que percebemos que o nosso desconhecimento numa área está a aumentar, significa que estivemos a aprender. O processo de aprendizagem leva ao aumento do fosso do conhecimento. Lemos, ouvimos, conversamos e estudamos para, ao mesmo tempo em que adquirimos um bocadinho de sabedoria, abrirmos uma cratera de ignorância. E é a repetição deste processo que é um gerador de conhecimentos e sabedoria. A aprendizagem e a sabedoria terminam quando começamos a achar que sabemos as coisas.

Com esta divagação, acabei por falar pouco no processo de escolha de um livro, mas a conversa é como as cerejas. E certamente que tendo de fundo Bernardo Sassetti e Indigo contribuiu bastante para esta divagação.

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